Bullying e vivência espiritual

Bullying e vivência espiritual

O termo bullying, oriundo do inglês bully que significa valentão, é uma situação bastante corriqueira em todo o mundo, principalmente no contexto escolar. Caracteriza-se por atitudes agressivas e intencionais que uma criança tem em detrimento da outra. O fator preocupante está no fato de que esse tipo de conduta geralmente não acompanha motivo aparente. Explorando o tema na VI Jornada Médico-Espírita de Saúde e Espiritualidade, promovida pela Associação Médico-Espírita de Campina Grande – Amec, o psicólogo Rossandro Klingey nos fala um pouco mais sobre bullying e sua relação com os aspectos espirituais.

Como se deu o desenvolvimento do conceito ‘bullying’?

Os conflitos entre crianças sempre aconteceram, mas começou a se perceber que eles passaram a se intensificar e passaram a ser sistemáticos. Isso quer dizer que quando uma criança, por exemplo, é vítima de um apelido ou de uma ameaça na escola a sua realidade é atingida, porque chegam adultos no consultório relatando transtornos desenvolvidos a partir desse tipo de agressão. Com isso, as pesquisas começaram a se intensificar, até que foi sendo criada uma nomenclatura e um código de transtorno a partir do termo que conhecemos hoje como bullying.

A ocorrência do bullying está estritamente ligada à escola?

Não. Você também pode sofrer bullying no condomínio ou na rua onde mora. A característica dele é ser sistemático e assimétrico, ou seja, quando está sempre se repetindo e for o mais forte contra o mais fraco.

A que se deve esse tipo de comportamento?

O ser humano tem muitos instintos primitivos e conflituosos, e cada sociedade adulta, sejam os pais, sejam todos os que estão envolvidos com as crianças, devem mediar esses conflitos para que isso não se torne bullying.

Qualquer tipo de bullying pode ser considerado como assédio moral?

Na verdade, o assédio moral é o nome que a gente dá ao que acontece no mundo adulto. Na esfera infantil e adolescente a gente chama de bullying. A diferença é que no mundo adulto, o adulto tem mais condições de combater o assédio moral, tanto do ponto de vista jurídico quanto do ponto de vista de uma personalidade que mesmo atingida é mais capaz de tomar medidas para se proteger quando possível. No caso da criança, ela é bem vulnerável, não tem recursos pessoais, muito menos fora de si mesmo para combater aquilo.

Como costuma ser a conduta da vítima do bullying?

Geralmente, a vítima do bullying não fala, pois é ameaçada, se contar “a gente vai te pegar lá fora, vai ser pior pra você” ou “seu pai não está aqui o tempo todo, então não conte” e a criança acredita nisso de forma muito intensiva. Muitos pais só descobrem que a criança foi vítima de bullying anos depois.

Como a internet influi para esse comportamento agressivo?

A internet amplifica tudo o que há de bom e tudo o que há de ruim. Uma coisa é ser vítima de bullying na escola e aquela humilhação só repercutir no ambiente escolar. Outra é quando aquela ameaça ou aquele tipo de agressão atinge uma rede social em que milhares de pessoas podem ver, afora o fato do bullying na internet ter outro complicador, que é o anonimato.

Existe um padrão na estrutura familiar que contribua para esse tipo de comportamento?

O desamparo dos pais. Alguns pais abandonam os filhos a própria sorte, basicamente só pagam contas. Quando os filhos se vêem sem essa assistência eles começam a ter um comportamento violento puro da carência e de certa forma transferem essa agressividade, que no fundo é contra os pais que os abandonaram, para vítimas mais acessíveis que são as crianças menores.

Como a vivência espiritual se encaixa para evitar comportamentos de bullying?

Na medida em que a criança e a família têm acesso a uma religião e vivencia essa religião, seja através de escolas dominicais evangélicas, evangelização infantil espírita, catecismo católico ou outras vivências, estão ali acessando um volume de informações, uma proposta de vida mais transcendente, moralmente mais sadia e certamente isso ajuda a conter os instintos agressivos que todos nós temos. As crianças que têm vivência espiritual têm menos propensão a fazer bullying, isso é uma realidade estatisticamente comprovada. As que não têm são mais propensas a provocar o bullying e estão muito mais vulneráveis ao uso de álcool e drogas. Portanto, elas hoje vitimizam pessoas, mas no futuro serão vítimas do próprio comportamento agressivo e instintivo.

 

Tags:,

sixps

Deixe uma resposta

MIEP

R$ 150,00

Valor até 31/12/2017

MIEP JOVEM

R$ 50,00

Valor até 31/12/2017




MIEPINHO

R$ 40,00

Valor até 31/12/2017